Máscara de mim


Se perguntarem por mim digam que parti, nem sequer sabem se volto.
Escurecida por dentro, terei de ir à procura de luz, dessa luz que me fugiu e me apagou…
Talvez a possa encontrar se me encontrar.
Por onde andará a máscara de mim?
Talvez a primavera que floresce sem precisar de chuva, na sua perfumada nudez seja capaz de me oferecer pingos de cheiros, pinceladas de cor, poemas azuis que me desentristeçam.
As flores das mimosas e das magnólias, breves alegrias, ausentaram-se para parte incerta e deixaram saudades.
Muitas, mais tardias e duradouras tagarelam entre si nas manhãs lisas e frescas.
Olho-as longamente querendo levar comigo o deslumbramento do colorido que me enterneceu em todos os anos que se foram.
Caminho devagar, ideias desalinhadas, coração a segredar
não esqueças as raízes que criaste
não esqueças os amores perfeitos
não esqueças os sonhos sonhados…
Um vento de chama violeta desassossega-me os cabelos uma gaivota vigia-me das alturas.
Estou cansada…
Sou um rio a correr para o mar e tenho frio.
Sou uma sombra e tenho sede.
Por onde andarei?
Sem norte, meio perdida, se alcançar o mar o meu mar olhar-me-á olhos nos olhos ou não me reconhecerá?
E tu, meu amor de sempre, darás à máscara de mim a luz que lhe fugiu e o colo que nunca lhe negaste?

autoria: Maripa, do blog
O Mar me Quer

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