Sem discurso, por favor!

Em uma roda de conhecidos deixei escapar que estava cansada… Uma das pessoas logo iniciou um discurso ensolarado, que tudo tem seu lado bom, que, se estou cansada, pelo menos tenho um trabalho blá blá blá.
Não havia incoerência na sua fala. Mas talvez no momento, eu quisesse apenas um pouco de empatia, pois não sou de me queixar, ainda mais em público. Se falo é porque estou apenas transbordando… e só.
Não acredito nas almas com aparência efervescente e permanente. A felicidade crônica é uma maquiagem que sai no banho.
Há um monte de coisas que dão errado. Têm dias que a vida tira o tapete, nos tira do sério, a gente leva uns trancos e quer entrar para um casulo pois está puta da cara mesmo. A vida é colorida mas tem pontas ásperas as quais machucam. Não trata-se de um estado catatônico de depressão, ou pessimismo tônico. Mas até na tristeza há normalidade, e nem por isso necessitamos de todas as Sertralinas indicadas, apenas precisamos saber lidar com as nossas travessias, sem drama, sem disfarce. Ou audácia de quem nunca pifou.
É tão humana a fragilidade, só a maturidade ensina-nos a quebrar os muros da valentia de nosso território, a ruir as imponentes torres e deixar entrar os medos, entender com tranquilidade, querer a doçura, não disfarçar as angústias e esperar pelo aceno da felicidade. Simples assim. Sem discurso, por favor!

[ … Esse texto tem tudo a ver com o que eu penso, porque detesto quando quero apenas comentar um assunto e a pessoa vem com a missa pronta.]

  • curti (0)