Minha primeira vez

Por que sempre que falamos em “primeira vez” nossa mente pega o atalho e instiga-nos a pensar em sexo?
Como se fosse a única inauguração digna de relevância, como se fosse o único ritual de passagem que marca. Eu tive primeiras vezes inesquecíveis sem precisar desnudar-me.
Pela vida, há tantas “primeiras vezes” que a gente nem se dá conta, até o momento que tornam-se ralas e quiméricas. Isso é o primeiro passo para uma existência vegetativa, a qual respira só por aparelhos da rotina.
É aí que mora com endereço fixo o perigo, da gente ficar zanzando pelos dias sem nos darmos conta da preciosidade de cada acontecimento, seja ele inaugural ou findo. A gente cria uma membrana espessa que veda a percepção do nosso entorno, assim como fica presos a hábitos acorrentados, os quais não provocam mais surpresas.
Pois bem, que a gente possa mostrar as papilas gustativas, aquela comida nunca provada, experimentar assistir a uma peça alternativa de teatro, matricular-se numa aula de dança (mesmo tendo dois pés esquerdos), aprender a nadar, ir a um lugar frio nunca visitado, apesar de gostar do calor ou, fazer uma tatuagem.
Sei lá, qualquer coisa que traga coisa fresca, com cheiro do novo para aguçar e ressignificar as emoções, afinal mora em todos nós alguma virgindade.
A vida não aceita o desaforo da postura estática, ela quer ser desafiada e desvirginada quantas, tantas e inúmeras vezes forem possíveis, ela não quer que sejamos celibatos da gente mesmo.

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Caminhos

Caminhei onde quis.
Caminhei também onde nunca queria ter caminhado.
Machuquei meus pés em pedras duras e meu coração em espinhos profundos. Desanimei minha fé por tantas vezes…
Enfureci minha confiança depois de entregá-la a quem nunca a mereceu.  Ensurdeci meus ouvidos depois de tantas mentiras que ouvi.
Sorri muitas vezes com o rosto molhado por lágrimas.
Deixei algumas vezes de ser ‘eu’ para ser outro alguém que na verdade nunca existiu.
Só aprendi a caminhar sem medo, quando entendi que essa é a nossa  missão, independente dos medos, erros, acertos, alegrias e tristezas,  assim se fazem os caminhos, as histórias. Como poderia contar um dia, se não a vivesse como vivi?
Sei que meus caminhos ainda são longos, mas dentre todos os caminhos  que me indicaram, que mandaram eu seguir, que disseram que estava  errado, que me disseram que era o mais longo ou o mais rápido, de todos  os caminhos com pedras ou espinhos, quero caminhar o meu caminho. Vou  chegar lá.

  • curti (1)

No improviso dos instantes

Evite falar com estranhos, por outro lado, fale com gente que não conhece para fazer novos amigos. Às vezes a gente encontra pessoas interessantíssimas.
Economize, contudo, gaste com o que ou com quem faça seus olhos brilharem…
Crie raízes… Ahhh mas permita-se ao anonimato em alguma outra cidade ou país . As viagens são verdadeiras formas de despertencimento.
Lugares ermos são perigosos, porém locais vazios são apropriados para quando se precisa da quietude.

Oh Wonder – Without You

  • curti (1)

Viver

foto 06/04/19, Erlaaer Straße

Eu já bebi vinho caro ruim, outros baratos, os quais, decantaram o momento.
Já ouvi gente inteligente pregando asneiras. E a ignorância ensinar.
Vi o que deveria ser precioso, ser ostentado.
Já senti o requinte nas coisas simples …
Já percebi a hipocrisia na bondade. E na bondade, o que surpreende.
Já senti o silêncio falar. E o que fala, nada dizer.
Já vi a obviedade no mistério.
Já vi tanto, que tenho apurado meu instinto sensorial a assimilar ao invés de rotular.

  • curti (1)

Tudo passa

foto 02/04/19, Gaaden

“No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim.”

Depois de quase 2 meses (de 08/02 a 01/04/19) de muita, mas muita dor de dente, duas endos, 4 caixas de antibióticos, muitos analgésicos, uma meia fortuna paga, estou viva! Graças a uma dentista colombiana, boliviana, não sei direito, que encontrei aqui.
Esse post não é para contar detalhes, afinal, quem não sabe o quanto se ouve desaforos de um profissional desqualificado e de quanta dor sentimos, quantas noites em claro? Mas para lembrar que fiquemos atentos nas nossas escolhas, que podem ter imensa consequência e trazer um grande trauma.
O pior já passou… agora quero pegar minha bike e começar a curtir os primeiros dias da primavera, isso sim!!

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